domingo, 3 de janeiro de 2010

Na maré me levou.


Ela é mulher. Ela é perfeita. A luz está encadeando meus olhos de um jeito que eu não posso vê-la por inteiro. Serão reais seus olhos desafiadores? E as suas curvas de mulher que me seduzem em uma dança sensual? Será tudo uma ilusão? Ela me atrai como se eu estivesse caindo na profunda cratera do prazer e me faz deixar tudo o que é meu: sapatos, identidade, aliança, vida. Agora sou dela.

Ela é sereia. Me arrastou para o mais profundo mar. Tudo é tão azul. O gelar do meu corpo é delicioso. Não respiro mais, nossas bocas se envolvem em uma carícia viciante. Em minha total falta de movimento, ela me leva para onde não posso ver ou sentir. Não sei mais quem eu sou, mas tenho tudo aqui. Sou um homem feito.

Ela é monstro. Arrancou minha alma. Como posso ver, se meus olhos são os seus? Como vou sentir, se você ainda vive dentro de mim? Como vou viver, se a minha vida depende da tua presença, teu calor, teu cheiro e do teu sabor? Você me consumiu por inteiro, não deixou nada de que posso lembrar. Levaste minha vida. Estou morto... Vivo, mas sem vida dentro de mim.

Ela "ainda é" quem eu sempre quis ter.