
(Sr. Pan)
Escrevo aqui minha última carta. Em meus receios, o fato de envelhecer sozinho estava no topo deles. Agora devo ter os meus 60... Ou 70 anos... O fato é que a unica certeza veio até mim, até mais cedo do que esperava. Agora segura-me forte entre os dedos. Sinto que não vou durar muito mais tempo.... Afinal, somos todos mortais.
Quando era pequeno, ouvia histórias de um menino que nunca crescia. "Todas crianças crescem, menos Peter Pan". Lembro-me de ser o próprio Peter Pan. Eu lutava de espada, corria, caçava tesouros, lutava contra piratas, voava! Mas agora... Virei eu. Descobri que não sei voar. Minha vida veio me puxando para baixo a cada dia, cada hora.
Um dia desses fui andar pelo parque. As pessoas não repararam no velho de vestimentas estranhas sentado no banco. Na verdade, de estranho não tenho nada. Sempre fui aos bailes assim. Onde eu dançava com lindas moças de vestido longo ao som da orquestra. Para lá e para cá...
Pela janela do meu quarto olho o céu todos os dias; é um local bem confortável, cheio de retratos em preto-e-branco por todos os lados. A vista costumava ser melhor quando era pequeno, ainda me lembro que olhava as crianças brincando nesta rua. Porém, olhando para ela agora, somente busco inspiração para despedir-me desta vida. Ahh... que saudades tenho de mim. Que saudades tenho deles. Que saudades, que saudades, que saud