No bosque havia um Carvalho. Alto e magno como era, costumava chamar-me a atenção. Era solitário e brevemente inclinado. As folhas de Outono, que caíam devagar, lembravam-me de pequenas alegrias que deveria ter dado valor. Nos tempos de nostalgia, passava a tarde à sua sombra lembrando-me do porvir. Foi lá onde escrevi meu primeiro verso, ou tentei... Nada me saiu, guardo a folha em branco desde então.
Queria ser que nem o Carvalho; não sente, não chora, não sofre. Eu vivia lutando contra meus anseios... Mas nunca consegui, as árvores não sentem, e eu sou um mero mortal. Vivo apenas por mais um colo, mais um beijo. Sem querer, encostado em teu tronco, me pesavam os olhos e me doía o coração. Não sabia exatamente porque, mas considerava-os sinais de fraqueza. Andava, portanto, com escuras lentes que ocultavam minha expressão. As lentes, no entanto, me refletiam os olhos em pura introspecção. Eu e meus Óculos Escuros.
Andava pelas ruas mascarado de árvore, sem alegria, sem coisa alguma. Era um farsante, certamente. Meus olhos ainda viam-se pelo reflexo das lentes; Olhava vagamente pelas horas, tudo notava, tudo via, mas à noite espelhava-me a dor do sofrido dia-à-dia. Até que me juntei a ti, meu Carvalho. Tu pensas que fui insensato em minha ação, mas creio que mais prudente não poderia ser. Hoje em dia sou feliz, assim como tu és. Juntos aqui, nós três somente; Tu, Eu e meus "Ólhos Escuros".