segunda-feira, 20 de julho de 2009

Depois da tempestade


O tempo que lhe restava acabou. Agora, com a corda em volta do pescoço, ele engole em seco. Seus olhos estão trêmulos, bem abertos e parecem fixar o nada, apesar de sempre olhar para os lados esperando que alguma coisa venha salvá-lo. Uma gota percoria lentamente o rosto dele. Não dava para perceber se era suor ou uma lágrima. Deve ser uma lágrima, já que o coitado foi deixado pela família e amigos há 20 anos... Agora diante de uma patéia de 3.000 pessoas sedentas por sangue ele percebe que devia ter escolhido o caminho certo da vida, um caminho mais honesto. Mas isso não adianta mais. Um homem todo vestido de preto se aproximava. Cada passo era uma angustia mortal, cada brisa era um vento cortante, cada som era uma bomba na cabeça dele. Então deu uma rápida olhada para o céu. Por que as nuvens sempre são tão lindas, tão perfeitas? Elas sempre estão serenas, em seu movimento leve e suave. Nunca se abalam. Ahh... As nuvens... Antes de acabar o pensamento, ele ouve um estalo na estutura de madeira aos seus pés. Uma rápida queda e ele se sentiu livre. Livre, para voar com suas nuvens.

Um comentário:

  1. Melono,
    Nossa, como voce 'cresceu'! Em tantos sentidos... Um beijo da sua forever tia, Tata.

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