segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Estranhos Que Nem Eu...

(Ariel e Caliban)

- [..]Sabe... Não pertenço mais a este lugar
- Como assim? Para onde você iria?
- Apenas não posso mais ficar aqui. Tudo virou igual, evasivo e chato. Deve existir alguma coisa lá fora além de respirar. Tenho que achá-la.
- Meu amigo, não perca a cabeça! Pense bem, você não tem para onde ir...
- Não interessa! O futuro está me chamando! Liberdade! Quero afastar-me dessa vida e aproximar-me do infinito. A busca é o caminho e a caminhada é a paixão.
- Como assim viajar sem rumo? Estás louco com certeza....
- Sim, meu amigo. Quem viaja sem rumo, nunca chega a lugar nenhum. Ou seja, viajarei visando o eterno. E eterno é o amor, Eterno é o amor!!
- Nunca, na vida, vi algo tão estranho. Você quer ir, mas não quer chegar. Você quer pular, mas não quer cair!
- "Estranho"... quem define o que é estranho? Sim, prefiro ser um estranho. Somente assim posso ser livre. Livre para ser quem sou. Eu e os estranhos que nem eu...
- Quem exatamente são eles? O que farás com tua vida?
- A vida nos chama. Pare e Ouça. Ela espera coisas grandes de nós. Siga, siga, siga...
- [...]

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os Recantos do Viver.



Disse-me um dia, minha voz interior
Que tinha que mudar e alterar meu valor
Ver o invisível, o inaudível ouvir
Sentir o impalpável e o implacável sorrir

Navegando pelo céu e correndo pelo mar,
Até a alma, no horizonte, conseguir encostar
Passando entre as cores e colinas do saber
E as flores das matinas, que vinharam do nascer

Minha sina, minha busca ou minha ausência do buscar
Entre as flores, os fulores, no fonema e no fonar
Pelos olhos, os olhares, minha sina e pedestal
Vêm descendo, me tomando, um sentimento desigual

Me encontrei pelos cantos, os recantos do viver
Mas nunca fui tão longe, não pretendo reaver
A dura caminhada que nao tem onde chegar
Mas parece intrigante, incessante de matar

sábado, 19 de junho de 2010

Vivemos na selva.




Aqui na selva, não temos tigres a espreita. Nossos tigres são feitos de metal. Têm garras de chumbo e fazem um único rugido de morte. Estão em toda parte, dormem de manhã e a noite acordam para comer. Estamos nas mãos do destino. E eles, na mão do nosso destino, uma pessoa, um bandido.

Aqui na selva, não andamos em bando. Andamos sozinhos com medo de nós mesmos. Competindo, desprezando e tentando destruir uns aos outros. Andamos cobertos de angústia para ver quem chega primeiro na corrida da vida. E os que perdem... sobra-lhes o medo. Medo de ser quem realmente são e aparecer para a sociedade como diferentes. Viramos um bando com uma pessoa só.

Aqui na selva, não andamos mais pela floresta. Andamos pelos países tocando no céu, nos jogando pelo ar. No entanto... insistimos em nos prender no chão. Pintamos nossas caras e vestimos panos pesados para nos sentirmos mais seguros. Nos prendemos em roupas, quartos, apartamentos, prédios, casas. Isso para nossa segurança... Temos medo de nossa própria espécie... Estamos ficando cada vez mais presos neste chão. Andando por esta terra que não é mais terra. É asfalto, cimento, ilusão...

Aqui na selva, não lutamos pra sobreviver. Lutamos até achar uma razão pra viver.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Na maré me levou.


Ela é mulher. Ela é perfeita. A luz está encadeando meus olhos de um jeito que eu não posso vê-la por inteiro. Serão reais seus olhos desafiadores? E as suas curvas de mulher que me seduzem em uma dança sensual? Será tudo uma ilusão? Ela me atrai como se eu estivesse caindo na profunda cratera do prazer e me faz deixar tudo o que é meu: sapatos, identidade, aliança, vida. Agora sou dela.

Ela é sereia. Me arrastou para o mais profundo mar. Tudo é tão azul. O gelar do meu corpo é delicioso. Não respiro mais, nossas bocas se envolvem em uma carícia viciante. Em minha total falta de movimento, ela me leva para onde não posso ver ou sentir. Não sei mais quem eu sou, mas tenho tudo aqui. Sou um homem feito.

Ela é monstro. Arrancou minha alma. Como posso ver, se meus olhos são os seus? Como vou sentir, se você ainda vive dentro de mim? Como vou viver, se a minha vida depende da tua presença, teu calor, teu cheiro e do teu sabor? Você me consumiu por inteiro, não deixou nada de que posso lembrar. Levaste minha vida. Estou morto... Vivo, mas sem vida dentro de mim.

Ela "ainda é" quem eu sempre quis ter.