sábado, 19 de junho de 2010

Vivemos na selva.




Aqui na selva, não temos tigres a espreita. Nossos tigres são feitos de metal. Têm garras de chumbo e fazem um único rugido de morte. Estão em toda parte, dormem de manhã e a noite acordam para comer. Estamos nas mãos do destino. E eles, na mão do nosso destino, uma pessoa, um bandido.

Aqui na selva, não andamos em bando. Andamos sozinhos com medo de nós mesmos. Competindo, desprezando e tentando destruir uns aos outros. Andamos cobertos de angústia para ver quem chega primeiro na corrida da vida. E os que perdem... sobra-lhes o medo. Medo de ser quem realmente são e aparecer para a sociedade como diferentes. Viramos um bando com uma pessoa só.

Aqui na selva, não andamos mais pela floresta. Andamos pelos países tocando no céu, nos jogando pelo ar. No entanto... insistimos em nos prender no chão. Pintamos nossas caras e vestimos panos pesados para nos sentirmos mais seguros. Nos prendemos em roupas, quartos, apartamentos, prédios, casas. Isso para nossa segurança... Temos medo de nossa própria espécie... Estamos ficando cada vez mais presos neste chão. Andando por esta terra que não é mais terra. É asfalto, cimento, ilusão...

Aqui na selva, não lutamos pra sobreviver. Lutamos até achar uma razão pra viver.

Um comentário:

  1. Quando comecei a ler este texto, caro amigo, pensei estar lendo um texto naturalista. Excelente escolha de palavras para exprimir o sentimento humano em relação à segurança... Nós estamos cada vez mais voltados pro interno, ou seja, a internalização. Gosteí também, ao meu ponto de vista, da crítica sutil em relação ao capitalismo a respeito do que ele causa (segundo Marx, a alienaçao das formas de produçao), Portanto estamos todos nos alienando!

    Atenciosamente,

    Thiago Puccinelli

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