quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Do que é Feito o Fim


Fria 
                        como nenhuma outra,
          passei por essa noite
                                                          a andar.

Sentindo
                   em meu pulso cansado
         A tristeza que é ver
                                    o espaço vazio entre meus dedos.

Nem todo mundo tem
                                                         alguém            
       para ficar              à luz da fogueira
                                                  de dedos entrelaçados.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Menino de Roupas Largas.










     Era uma vez um menino que queria parecer sempre mais velho. Vivia andando com as roupas do pai. Camisas enormes, à ponto de arrastar as mangas no chão. Mas o tempo passou e o menino cresceu. Daí, teve que arrumar camisas maiores ainda. Para assim, poder continuar fingindo ser gente grande e viver a vida arrastando as mangas pelo chão.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O que Nos Toca o Coração.









     Aquela melodia criou-se no infinito. Não por necessidade, mas sim por perfeição. Por um breve momento tocou os ouvidos, afinou os sentidos e instrumentou o coração. Abriram-se os horizontes ao soar dessa canção. Arrepiaram-se os nervos, despertou-se o libido. Num piscar de olhos, consagrou em blocos nosso amor esquecido: Nos esbarrou nos corredores, nos entrelaçou os dedos.  

Batia-me o Peito.





     
     Fechei os olhos por um segundo e tudo havia mudado. Cegava a alma em pó de meu corpo baleado. Por entre meus dedos, desmanchava o meu ser. Entrego minha pele fria ao mundo que deixo à perecer. Rasga minha casca esquecida em campo de guerra. Prisioneiro dessa vida, prisioneiro dessa terra. De veias secas e pulso sufocado, me integro ao esquecido, me integro ao passado.



      

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Àlexandra.










alêgria
a
alê
      ria.
a
alê
      via
        a
alêgria.

O Colecionador.












         Guardei a chuva daquela tarde em um pequeno papel amarelado. Meu pai, que me era gigante na época, não estava em casa. Guardei, então, minha obra em seu armário. Coloquei-a em um dos novinhos sapatos de pé direito que  ele colecionava já que só usava o esquerdo. 

domingo, 24 de junho de 2012

Cem Cores Sem Ti.










     E como se já não fosse o bastante, sem o aconchego do teu olhar, acinzentou-se o que vejo. Não esperava por mais essa. Esqueci de contar com as cores invisíveis que circundavam a profundeza de teus olhos. Agora o que me resta é suportar o incrível peso de teu silêncio. Como na última vez, em que jogamos pedras na fogueira até acabarem as fagulhas.

Nunca Estaremos à Sós.










          Parou de correr por um minuto em plena escuridão, estava sozinho.  O garoto olhou para as estrelas e se perguntou se em alguma delas haveria alguém que, olhando em sua direção, esteja tão sozinho quanto ele. Talvez, quem sabe, essa pessoa estivesse pensando se existe alguém que, olhando em sua direção, esteja se perguntando o mesmo na escuridão do Universo. 

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Amor e o Sapo








      


       De uma hora pra outra tornou-se um sapo. Não porque fora enfeitiçada, mas simplesmente porque achava-se melhor assim. Vivia se escondendo do próprio reflexo. Se pelo menos pudesse se ver pelos meus olhos... Saberia o quão linda era. Seu olhar nada mudou, mas meu tato ainda clama pelo calor de sua pele.

domingo, 17 de junho de 2012

Não-Poemas e Afins 2

Como amar alguém,
Se nem ao menos nos amamos?

Só de olhos fechados
Que faz sentido.

Solidão é voltar
e ver tudo em seu devido lugar.

Café é a solução!
Café, café, café, café...

Amor é que nem poesia
Só que em três dimensões.

Seriamos mais humanos
Se todos parassem
Para ouvir o próprio coração.

Seu cabelo é tão lindo,
Posso ser você?

Era mais feliz
Quando nada sabia.

A realidade sempre volta
E nos atinge em cheio.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não-Poemas e Afins.


Fui escrever um "a",
Mas saiu um coração.

Meus olhos te reconhecem,
Mas meu tato não.

Cuidado crianças:
Campo (deter)minado

O corpo é feito,
A cor perfeita.

Dois caminhos nos restam:
Ou ver, ouvir.

Ao passo do caminho,
Me ultrapasso, me encaminho

Andei pela rua hoje.
Vi um palhaço triste
Tomando cerveja sozinho.

Ontem pulei da ponte
Hoje sou o luar.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Cinco.


São cinco os motivos
De minha desilusão.
Cinco pedras, cinco tiros
Que me atravessam o coração.

São cinco os passos
Que na escada devo dar.
Pra subir em caminhada
N'alvorada te encontrar.

São cinco, cinco apenas.
Essas angústias tão pequenas
Sempre entre ilusões.

Mas como fico parado,
O sentimento e ampliado
E cinco vira milhões.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Tentativa

"Por tentativas e erros, o essencial nos vem"

Esqueci que não era ninguém.
Esqueci que ninguém eu era
Ninguém era, mas esqueci
Sempre fui ninguém, só tinha esquecido
Sou ninguém, mas às vezes esqueço
Apesar de ninguém ser, disso me esqueço
Esqueci que ninguém sempre fui
Aparentei esquecer de quem era, ninguém
Ninguém é o que sou, apesar de ter esquecido

.
.
.
Quem sou eu afinal?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Passado Mais-que-Perfeito.

"Em Baile de Máscaras"

Às vezes,
Me parecia
Que o sol aparecia por ti.

Todo dia
Em que eu te via,
Escurecia ao te ver partir.

De fato,
Não sou o que pareço.
Aqui ficou, na memória,
Preso em mim:

Um amor que, enquanto envelheço,
Não será lembrado por seu fim,
Mas sim pelo começo.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Imaginário Metafísico.

"E foi-se como o tempo"

Quando era pequeno, costumava ouvir histórias sobre um lugar mágico. Eram crônicas sobre uma sala que comportava algo especial, uma longa escada em espiral. Apesar da porta estar sempre aberta, pouquíssimas pessoas lá entravam. Afinal, as pessoas tem mais o que fazer... Normalmente todos olham de longe aquela subida exaustiva. No entanto, ainda haviam aqueles que a ousavam... Dizem até que essa sala sempre existiu, mesmo antes do próprio prédio ser construído.

Ao subir aqueles degraus, nos vem a cabeça o que pode estar no próximo andar. De primeira não se espera nada além do que uma escada pode nos oferecer. Por isso, muitos acabam simplesmente no andar superior... Mas isso só acontece porque lhes foi dito que escadas não passam de pontes físicas. Do contrário, essa escada os levaria onde a imaginação poderia os levar.

Lembro que passava horas pensando onde aquela pequena salinha poderia me levar. Eram, na maioria da vezes, lugares desnivelados e cheios de cores fortes. Lá, pintava-se o céu e plantavam-se montanhas. Mas em todos chegava graças a aquela salinha só minha que chamava imaginação.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A (pós)Disposição do Futuro.

"Os sobreviventes."

De longe já se ouvia o passo ritmado... Eram os tempos pré-escritos que tanto esperávamos. Nosso tempo finalmente chegara. À frente do povo, a fúria já estendia-se. Naquele momento, pulsou mais forte o sangue operante, tomaram a infantaria os que no passado viviam e por de baixo do sol ardente, pôs-se a mostra o translúcido semblante em marcha. Assim foram os que vinharam do terror histórico.

Com a mão no tambor de ritmo eufórico ascendeu a palma latejante que guiava os corações. Soou de livre o sufocado o grito feroz e ressonou contra os que tiraram as vogais de vós. À frente de todo tempo e espaço, subiam todos ao mais alto pico. No ar rarefeito é que ferve o sangue de que o homem é feito. O teor da guerra é o que nos guia na batalha. Veio o som da calamidade e logo tocou o corpo e alma. É só em chamas que a mente se calma.

Eram as vítimas dessa chama que nasceu tora. Tomavam, porém, sua respiração de volta. Pôs-se em jogo nervos de mil vidas mortas. Rugiam todos entre as barras que os aprisionaram. Não é fácil conter os gênios. Afinal, é deles o fardo de mudar o mundo. Em meio a euforia, trassou à uma só voz hino que assim dizia:

-"Não sóis meros joguetes de um sermão
Sois o futuro! O futuro em extensão!''