domingo, 10 de abril de 2011

Lembranças de Ribeirão.



Olhei mais uma vez para o bouquet de flores que carregava antes de entrar pela porta. O quarto era pequeno e pacato. Pela janela, o sol iluminava todo o lugar. No meio do quarto estava ela, esticada na cama. Olhava pra mim com uma cara de desconfiada, provavelmente porque sou a primeira pessoa a visita-la após o acidente...
- Bom dia. - disse eu após colocar as flores em cima da mesa. Ela continuava a me olhar com uma cara estranha. Ainda aflita, virou a cara como se não tivesse me visto.
- Já melhorou? Eu sei que é difícil passar por uma cirurgia, especialmente depois de um acidente daqueles...
- Se eu te contar uma coisa, você jura que não conta para ninguém? - disse a velhinha depois de muito checar se não tinha mais ninguém no quarto. - Eles dizem que aqui é Ribeirão Preto, mas eu sei que não é... Tenho que voltar para lá...
- Não estamos em Ribeirão. - respondi em seguida.
- Mas eu tenho que ir para Ribeirão, tem gente me esperando, tenho que ir agora! Onde estão meus chinelos?- falou a velhinha tentando se levantar da cama.
- Calma minha senhora... Venha, eu te ajudo...
- Não. Tenho que voltar para Ribeirão, tenho que ir...
E em um movimento brusco, ela rolou para fora da cama.
Antes de atingir o chão, ela atingiu o céu.
Ribeirão virou lembrança.
Na cama, apenas restou uma pena minha que fora deixada para trás.

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