
''Quando abraços eram coletivos''
A tarde banhava-se de Azul. O Sol sumia, a Lua vinha e de azul tudo pintava. Olhava pela janela e não era dia, não era noite, Era Azul. Foi meu tempo de criança. Tempo em que de tarde banhava-me e saía bailarinando por aí. Minha Era Azul.
Certo dia viajei ao azul e à casa nunca mais retornei, o tempo havia mudado. Até mesmo antes disso já sentia essa mudança na pele. Vez ou outra me escondia por trás de um colarinho apertado e de curioso observava o mundo, como se o visse por uma fechadura. Mascarado assim, esperava azulecer para à casa voltar.
No entanto, como dizia, naquele dia tudo mudou, à casa não mais voltei e de gravata dormi. Anos depois, ao olhar-me no espelho, estranhei-me o reflexo, era eu, havia mudado. Senti saudades do tempo em que abraços eram coletivos e cantávamos amor pelas madrugadas. Meu pescoço nunca mais afrouxou, e minha vida, nunca mais azuleceu.
- Ilustração por Mariana Brito, http://feltthings.blogspot.com
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