
''Campo Deter-minado''
- Não doutor, eu vivo só disso mesmo. Às vezes o dinheiro vem, às vezes não. Apesar de tudo, eu até gosto de ficar aqui, tenho tudo que preciso! Tenho sombra quando o sol aparece, tem uma torneira aqui do lado, tenho até uma amiguinha: Jurema! Ela é uma coruja, eu dei esse nome a ela.
Tem horas que eu até fico um pouco chateado... Tem uns dias que não tem ninguém nas ruas. Ficam todos em casa, ai eu me sinto meio sozinho. Pior ainda é quando chove! Eu fico tocando minha viola com Jurema aqui do lado, na chuva. Eu até prefiro que chova pra ela não perceber meu choro. Quando chove do céu...
Na verdade, não tenho nada contra chorar na chuva. É até melhor! Lava-me a alma, lava-me a pele. Minha viola até que soa melhor... Ah é! Essa é minha viola! Ela não tem nome, quem tem nome é a Jurema. Nunca pensei em nomeá-la. Pensando bem, acho que já nasci tocando. Tem coisas que não dá pra se livrar, meu caso é essa viola, por isso toco e sempre tocarei-a. Minha vida é assim... O senhor, por acaso, teria uma esmola ai?
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